Decorrido algum tempo da morte de Luiz Gama, como homenagem aos relevantes serviços prestados em vida para a emancipação dos escravos, Góes funda uma Loja com o seu nome, com o concurso dos obreiros das Lojas "Trabalho" e Ordem e Progresso".

A Loja "Luiz Gama" foi fundada composta dos obreiros das Lojas acima e de homens negros e livres pela Lei da Alforria, assinada pela Princesa Izabel. Foram iniciados 25 negros e a seguir, depois de aprovada, pelos poderes competentes, foi inaugurada, sob a direção do Irmão Góes, sendo que foram eleitos os funcionários entre os iniciados, depois de terem sido colados nos graus competentes.

A primeira reunião para a sessão magna de iniciação dos 25 negros teve lugar em uma sala reservada do Real Club Português, do qual o Irmão Góes era seu presidente, na rua do Imperador, que começava na Praça João Mendes até o largo da Sé, e as demais foram na sede da Loja " Obreiros do Trabalho ", à rua Santa Teresa, da qual era Venerável o Irmão Góes.

Luiz Gama faleceu de diabete, conforme atestado do Dr Jayme Perna, no dia 24 de agosto de 1882, tendo sido enterrado no dia seguinte, no Cemitério da Consolação, na rua 02, sepultura nº 17, adquirida por sua esposa Claudina Gama, no mesmo dia do seu enterro, conforme Livro 2, Fl`s 28, do Arquivo Municipal.

O seu enterro foi um fato memorável. O cortejo saiu do Brás às 15 horas do dia 25 e fez à pé, o percurso até o Cemitério da Consolação; seguido por uma imensa multidão. Parava-se de vez em quando, para que oradores fizessem discursos. Os aristocratas, a classe dominante, tirava o chapéu à passagem do cortejo. Às 7 horas da noite chegavam ao destino. Na hora de baixar o caixão à cova ocorreu uma cena emocionante. Um homem (não se sabe bem se o Dr Climaco Barbosa ou o Sr Antonio Bento) ergueu a voz. Quem relata é Raul Pompéia, citado por Sud Mennucci no livro "Luiz Gama: Precursor do Abolicionismo":

A voz soluçava-lhe na garganta.
Disse duas palavras, sem retórica, sem tropos, a respeito do grande homem que ali jazia caído...
Lembrou aos presentes que aquele fora Luiz Gama...
A multidão chorou.
Então, o orador reforçou a voz, reforçou o gesto, e intimou a multidão a jurar sobre o cadáver, que não deixaria morrer a idéia pela qual combatera aquele gigante.
Um brado surdo, imponente, vasto, levantou-se no cemitério.
As mãos estenderam-se abertas para o cadáver...
A multidão jurou.